A CONTRIBUIÇÃO DA DANÇA DO VENTRE PARA A MULHER RESGATAR SUA AUTO ESTIMA E RESTAURAR SUA POSTURA.

Dance o Ventre e Celebre os Sentidos

Nesse artigo falo um pouco da relação da mulher contemporânea com seu ventre, suas emoções e seus sentimentos através da dança do ventre.

Falo da mulher que, ao vivenciar adversidades naturais na vida pessoal e profissional, em decorrência de sua autoestima ferida por exemplo, desenvolve um padrão muscular fixo, uma expressão corporal inadequada, uma forma desequilibrada de conduzir-se, tomando uma postura incorreta diante da vida.

À medida que entra em contato com a dança do ventre, vai se conectando com seu feminino através dos movimentos graciosos dessa arte milenar. Conviver com a dança do ventre restaura a postura, permite fluir a sensibilidade, redescobrir a autoconfiança, trazendo crescimento no campo pessoal e profissional, fortalecendo-se para encarar os desafios da vida.

Para esse texto ter mais sentido, vejo a necessidade de contar um pouco da história dessa dança…

Um Pouco de História

Em todos os tempos, os povos vêm ritualizando as passagens de ciclo através da dança.

Não se sabe ao certo quando a dança do ventre surgiu e os lugares de sua origem também parecem variados. Há registros que antigas civilizações, como a Suméria, a Babilônia, a Acádia e a Egípcia, realizavam rituais em homenagem à divindade feminina evocando seus poderes para trazer fertilidade à mulher e à terra. Nesses rituais as danças utilizavam movimentos ondulatórios e ritmos de quadril e ventre, constituindo a essência primordial da Dança do Ventre.

Os árabes, por volta de 680 d.C., ao invadirem o Egito, ficaram encantados com esta dança e a divulgaram pelo resto do mundo, porém sem o seu conteúdo iniciático. Mais tarde desenvolveu-se pelo mundo, como no Irã e Iraque, onde sobreviveu como dança do harém. No decorrer do tempo ela sofreu diversas modificações, ganhando elementos do balé clássico, jazz e dança espanhola.

Segundo alguns pesquisadores da dança, a Dança do Ventre nasce com a necessidade de se conectar à Grande Mãe e era um ritual para estabelecer uma relação com divindades. Esses rituais eram executados por sacerdotisas em templos sagrados, onde elas representavam os elementos da natureza como movimentos da serpente, do camelo, dos pássaros e do vento.

Ana Espada

A Dança do Ventre hoje…

Na verdade, não importa o que se faz, mas a intenção com que se faz qualquer coisa é o que a transforma num ritual. Quando dançamos nos dias de hoje, mesmo estando tão distante dessas mulheres da antiguidade, de alguma forma nos unimos a elas nesse ritual, dando-lhes continuidade histórica.

Para entendermos melhor o benefício desta dança nos dias atuais é interessante citarmos alguns dilemas da mulher contemporânea.

Hoje vivemos o início da transição de uma vida regada à aparências e modismos, para a redescoberta de valores primordiais intimamente ligados a um propósito maior de vida.  A presença, reconhecida pela capacidade de manifestar harmoniosamente nossas inteligências mental, emocional, espiritual e física, é um poder que todos temos e pode ser despertado por vários caminhos. A Dança do Ventre é um deles.

Um estudo da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) revela que a condição feminina no mercado de trabalho “está longe” da igualdade em relação aos homens.

Ao conquistar o espaço no mercado de trabalho, a mulher passou a acreditar que, para ser competente, precisaria assumir um comportamento por vezes masculinizado, a fim de provar a sua igualdade com os homens, sua capacidade de ter idéias e realizar atividades com perfeição e busca constante de equilíbrio, decorrente do excesso de responsabilidades assumidas.  Assim, a mulher tende a adquirir uma postura psicológica e consequentemente física, conflitante com os seus padrões.

Sabemos que a maneira como andamos está diretamente ligada às emoções, que são transformadas em impulso e registradas pelo corpo.  Pode ser uma tensão no ombro, uma bacia com mobilidade restrita, articulações mais presas, e outras restrições que comprometem a sensibilidade e graciosidade do corpo.

Enquanto há a presença de bloqueios, o fluxo de energia e a consciência se contraem, a auto percepção fica bastante reduzida e distorcida, comprometendo a beleza dos movimentos da mulher.

Durante as práticas, os movimentos da dança, após uma repetição sistemática, são registrados no corpo e levando minhas alunas a um estado de perfeita conexão com seu melhor através do lúdico. Através da música exótica oriental, do ritmo, dos movimentos graciosos, dos pés descalços, do ventre presente e falando de conteúdos históricos do feminino, percebe-se nitidamente seu estado de contemplação diante do espelho, transformando-se em odaliscas de um palácio, sacerdotisas de um templo, personagens dos mitos de as mil e uma noites, entrando em pleno contato com o seu feminino. As couraças e bloqueios físicos e mentais vão sendo abandonados, permitindo seus sentimentos fluírem em profunda sintonia com a força do feminino, resgatando a sua postura da mulher diante da vida.

 “A força física e espiritual do ser humano recoloca o corpo na posição vertical. ”

                                                              Doris Humphrey Batcheller 1

Trata-se de um momento mágico em que entramos em contato com nossa verdadeira representação, abandonando a imagem imposta pela sociedade, pelo trabalho, pela cultura do ego. O corpo adquire uma imagem que nasce da sua essência, trazendo para fora, através dos movimentos, a autenticidade do seu próprio potencial e sua natureza, tornando a dança da vida uma grande e permanente aventura.

“Algumas vezes é preciso voltar muito para trás para descobrir quais eram as verdadeiras imagens operando e dando a forma da nossa vida”.

Joseph Campbell2

 

A importância para a Saúde

  • Reeduca a postura;
  • Elimina o stress;
  • Modela a cintura;
  • Enrijece o abdômen, glúteos e pernas;
  • Aumenta a flexibilidade;
  • Melhora a coordenação motora;
  • Melhora substancialmente a auto-estima;
  • Melhora a qualidade da respiração, ampliando a  consciência corporal;
  • Fortalece a musculatura do assoalho pélvico;
  • Melhora o desempenho sexual;
  • Auxilia nos períodos de TPM;
  • Atividade física que melhora a qualidade de vida da  mulher, com seus movimentos mais ágeis e femininos.

 

1Doris Humphrey Batcheller (1895 – 1958) dançarina e coreógrafa do início do século XX, foi uma das pioneiras da segunda geração de dança moderna que seguiram seus precursores – incluindo Isadora Duncan, Ruth St. Denis e Ted Shawn – em explorar o uso de respiração e desenvolvimento de técnicas ensinadas ainda hoje. Como muitos de seus trabalhos foram anotados, Humphrey continua a ser ensinada, estudada e realizada.

2Joseph John Campbell (1904 – 1987) foi um mitólogo americano, escritor e conferencista, mais conhecido por seu trabalho na mitologia comparativa e religião comparada. Sua obra abrange muitos aspectos da experiência humana. Sua filosofia é frequentemente resumida por sua frase: “Siga sua felicidade”.

 

 

Ana Nunes Pesquisadora, bailarina, coreógrafa e professora de danças orientais desde 1991. Estudiosa e praticante do Yoga desde 1996, em 2005 iniciou sua jornada como professora de Yoga.

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